Uma quadrilha falsificava dinheiro havia dois anos quando, em março deste ano, uma operação da Polícia Federal (PF) prendeu o chefe do grupo e um comparsa em Ponta Porã (MS), com R$ 592 mil em notas falsas de R$ 20.
As cédulas eram produzidas na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero e seu principal destino era Brasília, onde distribuidores locais compravam três notas falsas com uma verdadeira.
O caso é uma exceção pelo porte da apreensão, mas, em menores quantidades, a circulação de dinheiro falso é bastante comum no país. Em 2007, até o final de outubro, a PF abriu mais de 5 mil inquéritos para crimes de produção e distribuição de moeda falsificada – em 2006, foram 6.809. O Banco Central (BC), por sua vez, recolheu R$ 17,6 milhões em dinheiro falso entre 1º de janeiro e 5 de novembro deste ano.
Ressarcimento
Qualquer agência bancária está habilitada a recolher dinheiro suspeito e
enviá-lo para o BC para investigação, mas, caso seja confirmada a fraude, não
há ressarcimento. Assim, a única solução para não ser vítima dos falsificadores
é ficar atento.
“Falsificação de dinheiro ocorre no mundo todo, e as pessoas têm de deixar de
ficar constrangidas e verificar as cédulas no momento em que as recebem”, comenta
o chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, João Figueiredo. “Em 2005,
fizemos uma pesquisa e descobrimos que 60% dos brasileiros não conferem as notas”.
Figueiredo recomenda reservar algum tempo para observar com atenção as cédulas,
familiarizando-se com suas características
Do começo do ano até 5 de novembro, o BC havia recebido 458 mil cédulas falsas,
das quais cerca de 70% eram de R$ 50. Portanto, ao receber uma cédula desse
valor, a atenção deve ser redobrada.
Mas, como explica Figueiredo, o único dinheiro que pode ser recebido sem maiores
preocupações são as moedas, cujo valor de face é muito baixo para tornar a falsificação
rentável. “Se chegaram mil moedas falsas ao BC neste ano, é muito. Não vale
a pena, pois a produção é muito cara”, comenta.
Segundo o BC, 80% do total do dinheiro falso recolhido no país é enviado ao órgão pelos bancos. Os funcionários das instituições bancárias são treinados para reconhecer cédulas suspeitas e tirá-las de circulação.
O superintendente de Comunicação Social da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), William Salazar, assegura ser pouco provável que uma nota falsa, na eventualidade de não ser notada pelo caixa da agência, passe despercebida pela tesouraria das instituições financeiras, na contagem feita no fim do expediente.
A possibilidade de se sacar uma nota falsa num caixa eletrônico, portanto,
também seria reduzida. “Só se ela for trocada no momento em que o caixa é alimentado”,
aponta Salazar. “Mas, em cinco anos na Febraban, só ouvi falar de dois casos
como esse”.
Se, contudo, uma cédula suspeita for sacada de uma máquina dentro de uma agência
bancária, durante o expediente, o procedimento recomendado pelo BC é imprimir
um extrato que comprove o saque, de preferência no mesmo terminal, e pedir providências
ao gerente da agência.
Se ele não resolver o problema, o cliente deve procurar uma delegacia
policial para registrar ocorrência. Se o saque for feito fora da agência ou
do horário de expediente, o cliente deve procurar a polícia diretamente, munido
de extrato.
Boatos de que os bancos não tirariam dinheiro falso de circulação para evitar
perdas são rejeitados pela Febraban e pelo BC. “Isso é uma calúnia”, responde
Salazar. “É ridículo dizer isso, pois seria uma atividade criminosa que não
interessa aos bancos”, corrobora Figueiredo, do BC.
Embora, segundo o chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, uma análise a olho nu permita identificar notas falsificadas com grande precisão, existem no mercado equipamentos para fazê-lo com maior acuidade, com preços que variam de R$ 6,50 a R$ 1490.
A empresa Money
Test,
de Carapicuíba (SP), fabrica esse tipo de produto há sete anos. O modelo mais
barato é a caneta com reagente que identifica o papel de segurança usado pela
Casa da Moeda.
Esse reagente, no entanto, não acusa notas falsificadas por meio da técnica
de lavagem, em que cédulas verdadeiras de valor baixo são branqueadas quimicamente
para reimpressão com valor maior.
Por outro lado, segundo o BC, essa prática está se tornando rara porque,
apesar de se manter a marca d'água, que, de outra forma, é impossível de se
reproduzir com equipamento comum, o resultado da impressão geralmente deixa
a desejar.
O modelo mais caro da empresa (R$ 1.490) é uma câmera com lente de aumento,
que permite observar os detalhes de cédulas, cheques e documentos numa tela
de cristal líquido. Segundo o fabricante, o grau de confiabilidade é de 100%.